Selecção e Dosagem de Aditivos Diversos
O composto de borracha a tornar resistente à chama, em conformidade com os requisitos estabelecidos possui, em si, determinadas características de resistência que são definidas pelo seu Índice Limite de Oxigénio (LOI) (ver nesta página). Como então referimos, o LOI é a quantidade mínima de oxigénio (percentagem em volume), numa corrente de oxigénio+azoto, que mantém a combustão de um provete de borracha (ou de qualquer outro material), em condições especificadas de ensaio.
Vimos também que os valores do LOI permitem classificar a resistência à chama dos diversos materiais e também dos compostos de borracha da forma indicada no Quadro 1.

Uma classificação menos redutora e que estabelece uma relação com a classificação UL 94 é apresentada no Quadro 2 (Fonte: Granta Design).

O valor LOI de um determinado composto de borracha depende do tipo de borracha (polímero) e do tipo e dosagem dos diversos ingredientes incorporados. Uma boa parte destes ingredientes são materiais facilmente combustíveis, outros serão de combustão lenta, outros serão mesmo auto-extinguíveis ou intrinsecamente não combustíveis. A classificação de determinado tipo de composto de borracha vai depender, afinal, da combustibilidade de cada ingrediente e da sua dosagem.
Borrachas como o policloropreno (CR), polietileno cloro sulfonado (CSM) ou misturas de acrilonitrilo butadieno com cloreto de polivinilo (NBR/PVC) e borracha de polietileno clorado com 33% de cloro (CM), cujos valores de LOI são, respectivamente, de 30,7, 30,7 e 30,6, e 25; são materiais classificados de auto-extinguíveis. São borrachas (polímeros) intrinsecamente não combustíveis. Contudo, a adição de negro de carbono e de plastificantes (os ingredientes adicionados em dosagens mais elevadas), irá baixar o valor do LOI do composto e esse valor poderá não ser compactível com os requisitos antichama exigidos para o artefacto vulcanizado. Nestas condições, ao composto deve ser adicionado um subsistema de protecção antichama adequado, que permita atingir os objectivos requeridos.
O valor de LOI é determinado de acordo com as seguintes normas:
De qualquer forma, os valores de LOI dão apenas uma indicação da resistência à chama do composto de borracha; em muitos artefactos – como por exemplo correias transportadoras e mangueiras – a borrachas, ou borrachas, fazem parte de uma estrutura compósita, em que estão presentes materiais combustíveis de natureza diversa – matérias têxteis ou matérias plásticas, por exemplo. Estes tipos de materiais apresentam também os seus valores característicos de índice limite de oxigénio, como se mostra no Quadro 3. Os valores indicados são para os materiais base, sem qualquer tipo de acabamento ou adição de aditivos especiais que os tornem, eles mesmos, resistentes à chama. E sabemos que quer as fibras têxteis (ou mesmo já na forma de fios ou de tecidos) e as matérias plásticas, podem ser objecto de tratamentos especiais de acabamento ou de introdução, nas suas formulações, de aditivos antichama.

É esta estrutura compósita que tem de responder aos requisitos antichama, cumprindo as exigências das normas aplicáveis a cada tipo de artefacto. Por exemplo, no caso das correias transportadoras, os ensaios de resistência à chama podem incidir sobre um provete da correia completa ou sobre um provete da correia sem revestimentos. Neste último caso, á a carcaça da correia transportadora que tem de responder aos requisitos antichama. A qualidade da borracha utilizada nas camadas de ligação terá de possuir características antichama que neutralizem as eventuais características de combustão do material de reforço.
Indicam-se de seguida algumas normas aplicáveis a correias transportadoras e a mangueiras relativas a ensaios de resistência à chama e emissão de fumos.
Normas para Correias Transportadoras
Normas para Mangueiras
Indicam-se a seguir as normas aplicáveis a ensaios de chama para apreciação dos requisitos de diversos tipos de produtos e de materiais.
Normas para outros materiais e outros produtos de borracha
Os diferentes ensaios conduzem, inevitavelmente, a resultados a resultados igualmente diferentes, pelo que é muito difícil estabelecer correlações entre resultados. Assim sendo, os ensaios a realizar devem seguir a norma estabelecida e verificar se os provetes de borracha ou o produto de borracha vulcanizada satisfazem ou não satisfazem os requisitos.
A selecção e dosagem de um Subsistema Antichama implica, necessariamente, que o responsável pela formulação dos compostos de borracha realize os ensaios necessários até que se verifique a conformidade com os requisitos, se possível com uma ligeira margem de segurança.
São os seguintes, os principais requisitos de um Agente Antichama:
Na Figura 1 é dada uma ideia do custo relativo dos diversos tipos de agentes antichama, em função da sua eficiência.

Figura 1 – Agentes Antichama: custo relativo vs. eficiência
Os hidróxidos de alumínio e de magnésio são os agentes de mais baixa eficiência e custo, mas são utilizados em dosagens que podem variar entre 20 e 250 PHR. Parafinas cloradas, compostos halogenados, compostos não halogenados, compostos de fósforo e outros compostos, nos quais se incluem o óxido de antimónio, compostos de boro, compostos de molibdénio e compostos azotados apresentam eficiências do mesmo nível, mas o seu custo relativo aumenta na ordem indicada.
A selecção e dosagem de um Subsistema Antichama depende, como já foi referido, das características antichama intrínsecas do composto de borracha e, nalguns tipos de artefactos, dos restantes materiais, de natureza diferente, que dele façam parte (caso de matérias têxteis ou de componentes plásticos).
As características de resistência antichama intrínsecas do composto de borracha dependem, desde logo, do tipo de borracha utilizado e do tipo dos restantes ingredientes e respectivas dosagens. Os requisitos estabelecidos pela especificação do cliente, em termos de resistência à chama e ao tipo e quantidade de fumos libertados é um outro factor – não menos importante – a ter em conta. Já nos referimos também a todos estes aspectos.
No Quadro 4 indicam-se os principais aspectos característicos da combustão de alguns tipos de borrachas.

Uma análise preliminar dos requisitos antichama deve, desde logo, definir os tipos de agentes antichama que podem ser utilizados. Eventualmente, até dos tipos de borracha. A grande divisão é estabelecida pela permissão de utilização de agentes antichama halogenados. Esta, se for interdita, colocará apenas à disposição os agentes antichama não halogenados. Por outro lado, as exigências quanto ao volume de gases libertados ditarão a necessidade de adicionar agentes promotores da forma de camadas de protecção carbonosas ou vítreas, intumescentes ou não intumescentes.
No Quadro 5 são indicadas as características de alguns sub-sistemas de protecção antichama e/ou supressores de fumos.

No Quadro 6 são indicados três tipos de subsistemas antichama, que respondem a requisitos básicos fundamentais:

Notas:
Todas as Dosagens em PHR.
Vamos ver, para diferentes tipos de borrachas, os tipos de Subsistemas Antichama que são geralmente utilizados e que servem de orientação para todo o trabalho de desenvolvimento a efectuar.
Com borracha natural e poli-isopreno podem ser utilizadas praticamente todas as combinações de agentes antichama. Muito vulgares são as combinações a seguir mencionadas (Quadro 7):

Notas:
As borrachas de estireno butadieno (SBR) apresentam valores LOI compreendidos entre 16,9 e 24,9; abarcam, portanto, as classificações de altamente inflamáveis (valores LOI de 16 a 20) e de combustão lenta (valores LOI de 21 a 24). Os compostos de borrachas deste tipo, com requisitos antichama necessitam, portanto, da incorporação de subsistemas antichama. Podem ser variados, como se mostra no Quadro 8.

Notas:
É um dos tipos de borracha que possuem uma intrínseca resistência à chama (LOI, dependente do teor em cloro, varia entre 23,9 e 40,0, portanto, para a maior parte dos tipos, classificado como material auto extinguível (classes V-2 e V-0 no ensaio UL94). Como se trata de uma borracha halogenada, a simples adição de óxido de antimónio e/ou de um plastificante como o fosfato tricresílico melhorará substancialmente a resistência à chama. Mas a utilização de sub-sistemas que não introduzam mais halogéneo é também possível, como se mostra no Quadro 9.

Notas:
Subsistemas antichama para compostos de borracha EPDM (Quadro 10):

Nota
(1) DBDPE = Decabromo Difenil Etano
Subsistemas antichama para compostos de borracha AEM:
É um dos tipos de borracha que possuem uma intrínseca resistência à chama (LOI, dependente do teor em cloro, varia entre 25,0 a 30,7, portanto classificado como material auto extinguível (classes V-2 e V-0 no ensaio UL94). Como se trata de uma borracha halogenada, a simples adição de óxido de antimónio melhorará substancialmente a resistência à chama.
Subsistemas utilizados:
Subsistema utilizado em composto de borracha CM com 36% de cloro. É constituído por:
LOI do composto: 36,1
Subsistema utilizado em composto de borracha ECO com 36% de cloro; é constituído por:
LOI do composto: 30,7
Os compostos baseados em borrachas de Silicone (MQ, VMQ, PMQ e PVMQ) ou de Flúor Silicone (FMQ e FVMQ), possuem uma intrínseca, mas muito leve, resistência à chama. Esta resistência é melhor nos tipos de borracha de silicone ou de flúor silicone, em grupos metilo são substituídos por grupos fenilo ou vinilo (VMQ, PMQ, PVMQ e FVMQ), pela utilização de sistemas de vulcanização com catalisador de platina e pela adição de Hidróxido de alumínio (ATH) ou ainda por uma combinação de Hidróxido de alumínio (ATH) e Borato de zinco (ZB).
O cumprimento dos requisitos de resistência à chama e de emissão de fumos e sua toxidade apenas pode ser confirmado pela execução do ensaio ou ensaios estabelecidos na especificação do artefacto de borracha. Os diversos sub-sistemas de protecção indicados na página anterior, para diversos tipos de borracha, são meramente indicativos e a sua eficácia tem de ser comprovada experimentalmente com a execução do ensaio ou ensaios especificados. Até porque muitos dos compostos utilizados na produção de artefactos contêm mais do que um tipo de elastómero e, além deste, vários tipos de ingredientes, cujo grau de combustibilidade é mais ou menos acentuado.
Portanto, recomenda-se vivamente a execução do ensaio ou ensaios exigidos, desde a fase de desenvolvimento do artefacto até à sua produção corrente.
Nesta página foram descritos alguns dos mais importantes ensaios de resistência à chama que são correntemente utilizados na Indústria da Borracha. Atrás foram indicadas várias normas relativas a ensaios de flamabilidade e de emissão de fumos, aplicáveis a Correias Transportadoras, Mangueiras e Outros Materiais e Outros Produtos de Borracha.
Revisão 1 em 2018-04-24
Revisão 2 em 2021-04-22
