O aquecimento do pneu é um dos aspectos mais indesejáveis na sua utilização. As temperaturas atingidas nalgumas zonas dos pneus (especialmente na zona dos talões) são por vezes da ordem dos 100 – 120ºC. Estas temperaturas, associadas ao oxigénio e ao ozono presentes na atmosfera contribuem, de uma forma decisiva, para a degradação de toda a estrutura do pneu (borrachas e elementos têxteis de reforço) podendo mesmo conduzir ao seu rebentamento. Estas situações são ainda mais frequentes em climas quentes.
O aquecimento dos pneus ocorre por dois tipos de razões:
Razões internas
O aquecimento resulta da qualidade das borrachas utilizadas e da estrutura do pneu. Com efeito, quando as borrachas sofrem deformações de natureza dinâmica absorvem, em cada ciclo de deformação, uma maior ou menor quantidade de energia. Esta energia armazenada transforma-se em calor e eleva a temperatura do pneu. Esta elevação de calor é particularmente crítica na zona dos ombros, nas paredes laterais e na zona dos talões, onde os fenómenos de fadiga a flexões repetidas são mais intensos.
O tipo de construção da carcaça, a espessura das borrachas (nomeadamente nas paredes laterais) e a sua qualidade contribuem para uma estrutura de maior ou menor flexibilidade, susceptível de absorver as irregularidades do pavimento e de proporcionar um movimento isento de vibrações, resistindo em maior ou menor grau à deformação, dando origem a maior ou menor quantidade de calor gerado nas repetidas flexões.
Razões externas
Devidas a incorrecta utilização do pneu:
Temperatura ambiente: se a temperatura ambiente for elevada, a capacidade de arrefecimento dos pneus, jantes e travões é mais reduzida, do que resulta uma elevação da temperatura do pneu.
Tipo de percurso: um percurso mais sinuoso, que exija uma utilização frequente de travões, provoca um aquecimento mais intenso das jantes e este calor é, em parte, transferido para os pneus, elevando a sua temperatura. Um percurso muito sinuoso provoca também um trabalho muito mais intenso dos pneus, o que origina também uma maior elevação de temperatura.
Duração das viagens: em viagens de longa duração, se a capacidade de dissipação do calor gerado no sistema de rodados for inferior ao calor gerado, então a temperatura do sistema aumentará e portanto a temperatura dos pneus.
Tipo de condução: um tipo de condução agressiva, muitas vezes desnecessariamente sinuosa, com acelerações e travagens frequentes associada a velocidade excessiva, origina também uma elevação de temperatura dos pneus.
