A resistência ao rolamento é a força que o pneu opõe ao deslocamento do veículo. A resistência ao rolamento é uma manifestação das perdas de energia do veículo, devidas às deformações sofridas pela superfície de contacto do pneu com o pavimento e com os obstáculos com que se depara. Já vimos que uma parte da energia envolvida nestas deformações é absorvida pelo pneu e manifesta-se sob a forma de calor, aumentando a temperatura do pneu. Na Figura 60 apresenta-se, de uma forma esquemática, o que acontece a um pneu com uma menor resistência ao rolamento e a um pneu com boa resistência ao rolamento, para ultrapassar um mesmo obstáculo. Nas Figuras 60A e 60B são apresentadas imagens de análises FEA relativas a este tipo de deformação (cortesia da empresa Lancemore Co., Tóquio, Japão). O pneu de menor resistência ao rolamento deforma-se mais e o ângulo de ataque ao obstáculo é maior que o ângulo que corresponde ao pneu de boa resistência ao rolamento. Esse maior esforço é traduzido no maior valor do ângulo θ.

Figura 60 – Resistência ao rolamento (esquemático)
Figura 60A – Análise FEA da resistência ao rolamento. Cortesia da empresa Lancemore, Co., Tóquio, Japão
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Figura 60B – Análise FEA da resistência ao rolamento. Cortesia da empresa Lancemore, Co., Tóquio, Japão
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Estas perdas energéticas traduzem-se, na prática, num maior consumo de combustível, facto que constitui uma preocupação por duas razões principais: 1) pelo aumento do custo por quilómetro percorrido e 2) pelo maior impacto ambiental devido à maior quantidade de CO2 produzido pelos milhões de veículos que circulam em todo o mundo. Daí que os pneus com menor resistência ao rolamento fossem designados por pneus ecológicos ou pneus verdes.
No início dos anos 90, as borrachas utilizadas no fabrico do pneu passaram a incluir sílica na sua composição, o que conferiu aos pneus uma menor resistência ao rolamento. Este facto e o que resulta da própria substituição de negro de carbono (este é obtido a partir de derivados do petróleo e é um importante ingrediente utilizado na produção da borracha), por sílica, veio dar ao pneu características de um produto não tão mau para o ambiente: menor produção de CO2 e menor dependência do petróleo.
Além da composição da borracha, a resistência ao rolamento depende também da estrutura do pneu, da sua construção e das dimensões do pneu (os diâmetros das jantes aumentaram ligeiramente nos últimos anos – as jantes 12 e 13, que eram muito vulgares nos pneus ligeiros, passaram a ser 14 e mesmo 15 – o que corresponde a um aumento do diâmetro exterior do pneu.
Outros factores influenciam a resistência ao rolamento: o uso de pressões nos pneus inferiores ao recomendado e cargas por pneu mais elevadas do que as autorizadas contribuem também para maiores deformações dos pneus, maiores perdas energéticas, maior aquecimento do pneu e maior resistência ao rolamento.
