O que é e como se manifesta
O desgaste dos pneus é o resultado da acção abrasiva que o piso sofre no seu contacto com o pavimento. O desgaste de um pneu ocorre particularmente no piso, mas ocorre ainda nas paredes laterais, em resultado da acção abrasiva com as bermas dos passeios e com obstáculos que se apresentam ao pneu e cuja acção abrasiva se exerce nos seus flancos. O desgaste ocorre ainda nas zonas dos talões, por acções de atrito entre o pneu e a jante.
O desgaste nas várias zonas do pneu decorre do serviço que o pneu realiza, mas pode ser agravado por condições de utilização incorrecta do pneu e de condições incorrectas do próprio veículo, como veremos adiante.
O desgaste manifesta-se por perda de material – borracha, que vemos desaparecer progressivamente pelo menos nos locais mais visíveis dos pneus, de uma forma mais ou menos uniforme, por vezes de forma bem localizada, a aconselhar reparação imediata e/ou a tomada de medidas correctivas de natureza mecânica. É o caso do desgaste excessivo no piso provocado por travagens de emergência (Figura 61-A) ou do desgaste excessivo na parede lateral provocado por acção de atrito continuada ou frequente dos flancos contra pedras, guias de passeios, etc. (Figura 61-B) ou do desgaste na zona do talão, provocado por acções de atrito entre o talão e a jante ou mesmo nas operações de montagem do pneu (Figura 61-C).

Figura 61 – Alguns tipos de desgaste observados em pneus
Factores que influenciam o desgaste
Tipo de pneu
O tipo de pneu utilizado em determinado tipo de serviço pode não ser o mais adequado. Se o serviço exigir elevados esforços de tracção, o pneu deve possuir um piso de qualidade adequada (borrachas e desenho do piso).
Tipo de borracha do piso
A qualidade da borracha desempenha um papel fundamental no bom desempenho de um pneu relativamente ao aspecto de desgaste. Numa composição de borracha, o valor óptimo de uma determinada propriedade – vamos admitir ser a sua resistência ao desgaste, não coincide com os valores máximos obtidos para outras propriedades não menos importantes (dureza, resistência ao rasgo, aquecimento interno, resistência à fadiga por flexões, resistência ao envelhecimento, etc., como já vimos em Borracha – Definição dos requisitos). Por outro lado, os valores óptimos para estas mesmas propriedades variam com o grau de vulcanização da borracha (Figura 9 do capítulo atrás referido).
O melhor valor para uma determinada propriedade, obtida numa vulcanização conduzida durante determinado tempo a determinada temperatura, não coincide com os melhores valores para outras propriedades. Daí que a determinação de um adequado tempo de vulcanização tem de resultar de um compromisso de propriedades
Desenho do piso
O desenho do piso (e outros parâmetros, como já vimos atrás) determina a área de contacto com o piso e, das acções de atrito ente piso e pavimento, decorrem as acções de desgaste.
Carga por pneu
A carga por pneu influencia a dimensão da área de contacto e a pressão exercida pelo pneu no pavimento, sendo maior, traduzir-se-á num maior desgaste.
Pressão do pneu
A pressão de enchimento do pneu influencia decisivamente a área de contacto. Se a pressão de enchimento não for a correcta (para mais ou para menos), provocará desgastes anormais do piso do pneu (Figura 62). Utilizando uma pressão inferior ao recomendado, não existe contacto do piso no centro da área de contacto, e o desgaste do piso é mais acentuado nos lado exteriores do piso. Com uma pressão de enchimento superior ao recomendado, não existe contacto do piso nas zonas laterais da área de contacto, e o desgaste do piso é mais acentuado no centro do piso.

Figura 62 – Influência da pressão do pneu no tipo de desgaste
Veículo (convergência, divergência e cambagem do rodado dianteiro)
Do ponto de vista mecânico, os rodados dianteiros dos veículos automóveis são caracterizados pela convergência, divergência (alinhamento da direcção) e cambagem, já atrás referidos.
No que respeita ao alinhamento da direcção, vimos já que este pode traduzir-se numa convergência ou numa divergência dos rodados. No que respeita à cambagem, vimos que esta pode positiva ou negativa. Em qualquer destes casos, o pneu apresenta um desgaste acentuado num dos lados, conforme se verifica na Figura 63.

Figura 63 – Pneu com desgaste não uniforme
Tipo de condução
O tipo de condução afecta também a forma como o pneu se desgasta e a medida em que se desgasta. Uma condução muito agressiva e com maior velocidade, com acelerações e travagens mais frequentes, provoca um maior desgaste dos pneus.
Tipo de pavimento
Na interacção pneu/pavimento, este desempenha, obviamente, um papel muito importante. Os pavimentos podem apresentar superfícies mais ou menos rugosas e mais ou menos abrasivas. Daí que, da sua interacção com o piso do pneu, este sofra uma acção de desgaste mais ou menos intensa.
Condições de condução (temperatura, seco, molhado)
As condições de temperatura ambiente e as condições do pavimento (seco ou molhado) influenciam também o desgaste dos pneus. Temperaturas mais elevadas diminuem ligeiramente a dureza das borrachas, tornando-as mais moles e mais susceptíveis de sofrerem um desgaste mais pronunciado, nomeadamente em piso seco. O piso molhado apresenta um efeito contrário, reduzindo o desgaste do pneu, o que é bom. Mas, na verdade, também diminui as condições de segurança, por proporcionarem uma menor aderência, o que não é nada bom para uma condução segura.
Estado de vulcanização da borracha
Sabemos que o estado de vulcanização da borracha tem uma forte influência no conjunto de propriedades físicas e mecânicas. A resistência à abrasão não escapa a esta regra. O estado de vulcanização do piso – porque a borracha do piso é uma das muitas utilizadas no fabrico de um pneu, pode ser levado a uma optimização da sua resistência ao desgaste; mas certamente outras propriedades serão prejudicadas e a opção considerada pode não ser, a solução de compromisso mais adequada.
Indicadores de desgaste
Os pneus para veículos da categoria M1 (veículos para transporte de passageiros, com o máximo de 8 lugares) é obrigatória a existência nas ranhuras do piso e em seis filas transversais, distribuídas uniformemente no perímetro do pneu, de indicadores de desgaste (Figura 64); contudo, para pneus montados em jante 12 ou inferior, o número de filas é reduzido para quatro. Os indicadores de desgaste devem possuir uma altura mínima de 1,6 mm e uma altura máxima de 2,2 mm. A espessura mínima de piso, pela legislação actual, é de 1,6 mm.

Figura 64 – Indicadores de desgaste
