Nesta página já fizemos referência a dois processos de recauchutagem a frio, que agora completamos com a Recauchutagem Integral a Frio:
No sistema de Recauchutagem Simples com Piso Pré-vulcanizado (vulcanização em autoclave) a aplicação do piso pré-vulcanizado pode ser antecedida de uma outra operação que designaremos por Preparação do Piso. Muitas vezes o recauchutador adquire pisos pré-vulcanizados sem borracha de ligação; recebe-os em bruto, apenas com a face que vai ligar ao piso grosada. E assim, terá de ser preparado devidamente para poder ser aplicado na carcaça.
A preparação dos pisos pré-vulcanizados pode efectuar-se sobre uma mesa, a qual dispõe de três áreas de trabalho distintas (Figura 21):

Figura 21 – Mesa de preparação de pisos pré-vulcanizados (esquemático)
A primeira operação, na primeira área de trabalho, consiste no corte do piso com o comprimento correspondente ao perímetro da carcaça grosada, valor que é lido na Ficha de Identificação do Pneu, que a acompanha a carcaça desde a fase de recepção. A prática seguida é de realizar as uniões dos topos dos pisos com correcta continuidade do desenho. Para isso, os comprimentos a cortar terão de ser sempre múltiplos do passo do desenho, o que nem sempre acontece, optando-se então sempre pela medida por defeito. Se o comprimento total do piso obrigar à utilização de uma emenda, devem utilizar-se fracções tais que o comprimento mínimo de um dos troços não seja inferior a um quarto do perímetro da carcaça.
Contudo, algumas empresas utilizam outros critérios como, por exemplo, o seguinte: nos pisos direccionais, o piso é cortado numa medida superior ao perímetro da carcaça; nos pisos de tracção, o piso é cortado para a medida inferior. Em qualquer dos casos, o preparador de pisos deve mencionar a giz, sobre a película de protecção da ligação, o número de centímetros, a menos ou a mais, que terão de ser compensados na operação de Aplicação do Piso.
Após o corte do piso, operação realizada com o auxílio de uma guilhotina accionada pneumaticamente (Figura 22), o operador procede à grosagem dos topos, para que a sua superfície venha a proporcionar uma boa união.

Fig. 22 – Guilhotina para corte de pisos pré-vulcanizados.
Cortesia Italmatic, S.r.l, Milão, Itália
A segunda operação, na segunda área de trabalho, consiste na limpeza da base do piso e dos seus topos com solvente para borracha, seguindo-se a aplicação de cola, feita com o auxílio de uma trincha; esta aplicação é feita na base do piso e nos seus topos. Os pisos devem permanecer nesta área de trabalho o tempo especificado de secagem da cola; como a mesa tem uma largura compreendida entre 800 a 1000 mm, pode acondicionar, lado a lado, 2 a 3 pisos (conforme a sua largura), o que permite conferir alguma continuidade ao processo.
A terceira operação, na terceira área de trabalho, consiste na aplicação de ligação na base do piso, com o auxílio de uma pequena máquina (Figura 23), onde se encontra colocado o rolo de ligação (com a largura adequada ao piso e preparar) e dispõe de rolos tensores e rolos calcadores, que evitam que ar fique retido entre a ligação e a base do piso.

Figura 23 – Máquina para aplicação de ligação
Cortesia Italmatic, S.r.l, Milão, Itália
No termo da operação, o operador corta pequenas tiras de ligação que coloca nos topos do piso. Para maior garantia de que ar não fica aprisionado entre a borracha de ligação e a base e topos do piso, estes são de novo calcados com um rolete. A operação termina com o corte do excedente da borracha de ligação ao longo do piso e nas suas extremidades e a sua posterior colocação na área de Aplicação do Piso.
Se os pisos são adquiridos com borracha de ligação, as tarefas executadas nas três áreas da mesa de trabalho são as seguintes:
A primeira operação, na primeira área de trabalho, consiste no corte do piso com o comprimento correspondente ao perímetro da carcaça grosada, valor que é lido na Ficha de Identificação do Pneu, que acompanha a carcaça desde a fase de Recepção de Carcaças. Os critérios de corte são os mesmos que foram referidos no caso de pisos adquiridos sem borracha de ligação.
Após o corte do piso, operação realizada com o auxílio da guilhotina accionada pneumaticamente que apresentamos na Figura 22, o operador procede à grosagem dos topos, para que a sua superfície venha a proporcionar uma boa união.
A segunda operação, na segunda área de trabalho, consiste na limpeza dos topos do piso, com solvente para borracha, seguindo-se a aplicação de cola, feita com o auxílio de uma trincha. Os pisos permanecem nesta parte da mesa o tempo especificado de secagem da cola. Como a mesa tem uma largura compreendida entre 800 a 1000 mm, pode acondicionar 2 a 3 pisos (conforme a sua largura), o que permite conferir alguma continuidade ao processo.
A terceira operação, na terceira área de trabalho, consiste na aplicação de borracha de ligação apenas nos topos do piso. Para o efeito, o operador corta pequenas tiras de ligação que coloca nos referidos topos. Para maior garantia de que ar não fica aprisionado entre a borracha de ligação, os topos do piso são calcados com um rolete. A operação termina com o corte do excedente da borracha de ligação que possa existir nos topos do piso e a sua posterior colocação na área de Aplicação do Piso.
A aplicação do piso pré-vulcanizado efectua-se em máquinas idênticas à mostrada na Figura 17, adequada à aplicação de pisos de rechapagem ou pisos perfilados.
Na Figura 24 mostra-se uma outra máquina para Aplicação do Piso, esta cobrindo uma gama mais ampla de dimensões de jantes (12” a 24”).

Figura 24 – Máquina de construção MATIC PMTC 75 (para jantes de 12” a 24”)
Cortesia Italmatic, S.r.l, Milão, Itália
De forma análoga à utilização da máquina mostrada na Figura 17, a operação inicia-se com a preparação da máquina, ou seja, a montagem da jante com a medida da carcaça que vai ser trabalhada, regulação da sua largura de acordo com a largura da carcaça e das velocidades de rotação da jante (normalmente uma velocidade mais lenta, durante a aplicação do piso e uma velocidade mais rápida, durante as fases de calcamento). Estas máquinas dispõem de feixes de centragem, que podem ser duplos (luminosos ou de raios laser), de um sistema mecânico guia do piso, de um sistema para corte do piso (sistema utilizado quando da utilização de piso perfilado ou camelback), e rolos calcadores (calcador vertical do piso e calcadores com movimento transversal alternado).
Preparada a máquina, é montada a carcaça e insuflada com ar comprimido, normalmente a uma pressão de 2 kg/cm2. O operador procede então à operação de enchimento de falhas e muitas vezes é aplicada uma tira de borracha de ligação com cerca de 20 mm de largura em cada um dos ombros da carcaça. Concluídas estas operações, passa à operação de Aplicação do Piso. Para o efeito, começa então por separar o filme plástico (polietileno) que protege a camada de borracha de ligação existente no piso pré-vulcanizado, numa das suas extremidades e num dos seus topos e aplica este, devidamente centrado, sobre a carcaça; prossegue então com a remoção do material plástico em todo o comprimento do piso a aplicar, ao mesmo tempo que a máquina avança. De acordo com o comprimento do piso, o operador terá de aplicar alguma tracção, quando se trate de piso mais curto, ou permitir alguma acomodação, quando se trate de um piso mais comprido que o perímetro da carcaça. Aplicado o piso em todo o perímetro da carcaça, o operador deve remover a protecção de plástico no segundo topo e executar uma boa união topo a topo, que depois deve reforçar com a aplicação de agrafes (Figura 25). Assinale-se que nem todos os recauchutadores utilizam esta técnica de agrafagem.

Figura 25 – União topo a topo agrafada, de um piso pré-vulcanizado
Com a máquina em movimento aplicar então o calcador vertical do piso, o qual exerce uma pressão de cerca 0,5 kg/cm2; depois de calcada a zona central do piso o operador faz avançar os calcadores transversais, os quais percorrem toda a largura da carcaça, exercendo uma pressão de 2,0 ± 0,5 kg/cm2.
Após o calcamento, o operador aplica borracha de acabamento na parede lateral, junto aos ombros. Procede depois aos controlos que tem de efectuar e regista os valores medidos em impresso adequado ou na Ficha de Identificação do Pneu.
Como se trata de um piso de características especiais, a aplicação deste tipo de piso requer, naturalmente, máquina especial para esta operação (RingTreader, séries 1000, 2000 e 3000). Essa máquina é mostrada nas Figuras 26 e 27.

Figura 26 – Aplicação do piso anelar Marangoni
Cortesia Marangoni S.p.A., Rovereto, Itália

Figura 27 – Aplicação do piso anelar Marangoni
Cortesia Marangoni S.p.A., Rovereto, Itália
[box style=”info”]Na página “The Retreading Process“, da empresa Marangoni S.p.A., pode ser observado um mini vídeo desta operação, ao clicar na Operação 4 (Building), de onde foi recolhida a Figura 27. A sua visualização dispensa a descrição do processo.[/box]
Após a aplicação do piso, são efectuadas as operações de acabamento na parede lateral da carcaça e esta segue depois em monorail para a operação de Vulcanização.
A aplicação do piso pré-vulcanizado num processo de Recauchutagem Integral a Frio é em tudo idêntico ao já descrito no caso da Recauchutagem Simples com piso pré-vulcanizado (Vulcanização em autoclave). As diferenças residem:
Concluídas estas operações, a carcaça segue a área de Aplicação de Inscrições, a qual antecede a Vulcanização.
Terminada a operação de Aplicação do Piso, o responsável deve preencher a Ficha de Identificação do Pneu, indicando eventuais aspectos relevantes que tenham ocorrido durante a operação realizada e os resultados das suas verificações. A carcaça é então enviada para a operação seguinte (Aplicação das Inscrições). As carcaças, enquanto aguardam a operação seguinte devem ser colocadas sobre suportes adequados.
À operação de Aplicação do Piso, nas suas várias modalidades, deve corresponder uma Instrução de Trabalho, onde estejam bem definidas todas as tarefas a executar, as condições operacionais a utilizar e os controlos a efectuar (Plano de Controlo).
Os requisitos observados na operação de Aplicação do Piso correspondem aos parágrafos Nº 6.6.7 e 6.6.8 do Regulamento ECE/ONU 108 e aos parágrafos Nº 6.4.7 a 6.4.8 do Regulamento ECE/ONU 109.
