Até ao final do século XIX sempre se pensou que a qualidade dum artigo de borracha estava ligada exclusivamente ao seu conteúdo em borracha natural pura. Porém, em 1891 HAINZERLING e PAHL demonstraram que a “resistência” da borracha podia aumentar pela adição de óxido de zinco ou óxido de magnésio e em 1905 DIETMAR mostrou a verdadeira importância da adição de óxido de zinco à borracha, sobretudo no aumento da sua resistência ao desgaste.
Contudo, a adição de outras substâncias à borracha natural remonta aos anos 1820 (HANCOCK) e 1823 (MACINTOSH), em que foram feitas adições de talco para eliminar o inconveniente da pegajosidade da borracha (ainda não vulcanizada…) nas operações de mistura. Além disso, havia já a tendência dos fabricantes da época para incorporar na borracha as mais diversas substâncias, tais como argila, caulino, barita, gesso, óxido de zinco, sílica e negro de carbono, com o fim de embaratecer os seus artigos.
Com a descoberta da vulcanização em 1939 (CHARLES GOODYEAR), o emprego destas cargas aparentemente inertes tomou grande importância e pode dizer-se que o sucesso obtido nas inúmeras aplicações da borracha no fabrico dos mais diversos artefactos se deve, em grande parte, às substâncias que se adicionam à borracha pura, seja borracha natural seja borracha sintética. Com efeito, a adição de cargas às borrachas puras são hoje olhadas actualmente como absolutamente necessárias, pois permitem conferir propriedades particulares, mecânicas, físicas, químicas, etc.
Pode pois dizer-se que a percentagem de polímero natural ou sintético que entra num artigo em particular não representa uma medida do seu grau de qualidade, para um fim específico.
Assim, embora se possam encontrar artigos com cerca de 95% de polímero, é frequente encontrarem-se artigos com 30-40% de polímero. Os restantes 70-60% são constituídos por plastificantes, cargas e aditivos diversos, os quais, em proporções devidamente ajustadas, vão conferir aos artigos propriedades particulares para os fins em vista.
Durante muitos anos o óxido de zinco foi a carga reforçante mais utilizada, até que foram descobertas as propriedades reforçantes do negro de fumo o que foi devido aos trabalhos de S. C. MOTE (1904). A substituição de óxido de zinco por negro de carbono foi um processo lento, sobretudo nos pneumáticos para automóveis.
Os rápidos progressos alcançados nas formulações para pneumáticos, sobretudo após a 1ª Guerra Mundial, reflectiram-se na quilometragem de duração, que passou de 5.500-11.500 km para 9.600-12.600, em 1919. Hoje em dia já se construem pneumáticos com a duração da ordem de 45.000 a 65.000 km.
