Defensas
A Energia Cinética de um navio em processo de acostagem é dada pela expressão:
Sendo:
E – Energia cinética do navio, expressa em Ton.metro;
MD – Deslocamento do navio, em Toneladas;
V – Velocidade do navio, em m/s;
g – Aceleração da gravidade (9,8 m/s2).
Quando o navio atinge o cais, a sua energia é transmitida e absorvida por:
Pelo exposto, facilmente se deduz que a energia absorvida pelas defensas constitui apenas uma fracção da energia total. O valor dessa fracção depende de vários factores, como se descreve a seguir.

Sendo:
EDef – Energia absorvida pelas defensas, em Ton.m;
ENavio – Energia cinética do navio;
MD – Deslocamento do navio, em Toneladas;
V – Velocidade do navio (velocidade de acostagem), em m/s;
g – Aceleração da gravidade (9,8 m/s2);
CM – Factor de massa agregado;
CE –Factor de excentricidade;
CC – Factor de configuração do cais de acostagem;
CS – Factor de suavização.
Factor de Massa Agregado, CM
Quando o barco se move em direcção ao cais, desloca consigo uma massa de água; quando ocorre o impacto com as defensas, a energia dessa massa de água exerce-se sobre o casco, aumentando a energia cinética do navio. Além desta massa de água, existe também uma massa de água designada por massa virtual, que depende das condições de mar e da profundidade na zona do cais. O efeito desta massa virtual é menos acentuado em águas mais profundas do que em águas pouco profundas.
Vamos utilizar o método de cálculo mais recente, desenvolvido pela organização PIANC – The World Association for Waterborne Transport Infrastructure (2002) e que veio a ser adoptada por EAU-2004 – Recommendations of the Committee for Waterfront Structures and Waterways. PIANC combinou os métodos de cálculo até então existentes com o coeficiente de configuração do cais de acostagem (CC) e com um novo termo, em que reuniu o efeito da massa agregada CM e a altura de água sob a quilha do navio (KL ou KC). A componente da velocidade do navio, perpendicular ao cais é designada por VB (Figura 10).

Figura 10 – Factor de massa agregado CM
Segundo este método, temos então:
Notar que o calado real do navio, d, é maior do que dB e menor do que dL (ver Figura 3). Recordamos que dB é o calado do navio em lastro e dL é o calado do navio carregado.
A representação do valor do factor de massa agregado em função de KC/d é a que se mostra na Figura 11.

Figura 11 – Factor agregado de massa CM versus KC/d
Factor de Excentricidade, CE
O factor de excentricidade resulta do facto da direcção do vector velocidade não passar pelo ponto de acostagem. Nestas condições, o navio tem tendência a rodar. A energia do navio é parcialmente absorvida no impacto com a defensa e uma outra parte é dissipada na rotação do navio. Neste fenómeno é importante a distância x entre o ponto de contacto do navio com a defensa e o seu ponto mais extremo da proa na dimensão LPP (distância entre perpendiculares, no plano da linha de água) (Figura 12).
Figura 12 – Várias condições de acostagem lateral
Na Figura 13 mostra-se uma representação gráfica dos valores do factor de excentricidade CE em função da relação x/LPP, tendo ainda como parâmetro o valor do ângulo de acostagem, α. A linha limite inferior da faixa de valores corresponde ao valor α=0º e a linha limite superior corresponde a um valor α=20º; no eixo das ordenadas estão indicados valores intermédios do ângulo α, de 5º, 10º e 15º, pelo que será relativamente fácil extrapolar um determinado factor CE para um dado valor da relação x/LPP.
Figura 13 – Factor de excentricidade CE versus relação x/LPP
No Quadro 1 indicam-se os valores de CE para vários pontos de acostagem, estes também indicados na Figura 13, para efeitos de um cálculo rápido e aproximado, sendo considerado um valor do ângulo a de cerca 12,5º (linha média da faixa azul claro).
Quadro 1 – Factor de Excentricidade |
|
|
Condição de acostagem |
Valor de CE |
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Ponto 1 (a 10% de LPP) |
0,375 |
|
Ponto 2 (a 20% de LPP) |
0,450 |
|
Ponto 3 (a 25% de LPP) |
0,575 |
| Ponto 4 (a 30% de LPP) |
0,680 |
| Ponto 5 (a 50% de LPP) |
1,000 |
| RO-RO |
1,000 |
Factor de Configuração do Cais de Acostagem, CC
Vimos já na Figura 7 os tipos de cais de acostagem:
Na figura indicada é fácil de perceber que o navio, em manobra de acostagem num cais de estrutura fechada, recebe uma forte acção da massa de água que desloca e que o empurra, afastando-o do cais. Esta acção constitui também um efeito de amortecimento do impacto do navio com as defensas e é dependente, como já se referiu, da profundidade da água e da distância da quilha ao fundo da água. Dissemos ainda que este efeito é menor em águas profundas. Depende, por outro lado, das condições de acostagem e do ângulo que o plano que passa pelo centro de gravidade do navio faz com o plano da água, podendo mergulhar mais à popa ou à proa, obrigando o volume de água deslocado a escapar-se pelo extremo oposto. Estes efeitos sobre o navio são mais atenuados num cais de estrutura semiaberta e ainda mais – ou praticamente inexistentes, num cais construído em dolfins ou estacas.
Na Figura 14 são indicados os valores de CC para os três tipos de cais de acostagem, em função do parâmetro KC/d.
Figura 14 – Factor de configuração do cais de acostagem
Factor de Suavização, CS
No impacto do navio com a defensa e se esta for relativamente dura, pode ocorrer uma deformação elástica do casco δC, em resultado da força de reacção da defensa RD. O casco, ao deformar-se, absorve uma pequena quantidade de energia, contribuindo assim para uma suavização do impacto. O factor de suavização é, fundamentalmente, dependente do valor dessa deformação, como se mostra na Figura 15. 
Figura 15 – Factor de suavização CS
